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O tema  de nosso tempo

Fernanda de Araújo Melo

 

 

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Resumo: Na referida obra, Ortega y Gasset desenvolve a idéia de razão vital que vinha construindo em seus trabalhos anteriores. A partir desse momento, a filosofia orteguiana assume como principal objetivo a substituição da razão pura pela razão vital. Cabe ressaltar que, Ortega não vai contra a razão, mas combate os exageros do racionalismo, que submetendo a vida à razão, desconsidera o imperativo vital. Nesse sentido, Ortega estabelece uma nova maneira de colocar o problema da espontaneidade em relação com o mundo do homem. Nessa resenha vamos mostrar como este filósofo desenvolve a idéia de razão vital, a base de seu pensamento filosófico.

 

Abstract: In the referred work, Ortega y Gasset develops the concept of "vital reason" that was building in your previous works. Starting from this moment, the orteguian philosophy assumes as your main objective the task of substituting the pure reason for a vital reason. It is necessary to emphasize that Ortega doesn't make opposition to the reason, but it combats the exaggerations of the rationalism that submits the life to the reason, disrespecting the vital imperative. In that sense, Ortega establishes, in an innovative way, that the problem of the spontaneity should be placed in the relationship with the man's world. In that review we intended to elucidate as this philosopher develops the idea of vital reason as base of your philosophical thought.

 

ORTEGA Y GASSET, José. El tema de nuestro tiempo. Obras Completas. v. III, 2. Reimpresión, Madrid: Alianza, 1994. p. 141-203.

 

Ortega y Gasset, filósofo espanhol da primeira metade do século XX, destacou-se não apenas como estudioso da tradição filosófica, mas também como pensador preocupado com a realidade de seu país. A reflexão orteguiana vincula o pensamento à circunstância e contribui para o aprofundamento do estudo contemporâneo das chamadas filosofias nacionais. Adicionalmente, a reflexão orteguiana ganhou destaque no mundo contemporâneo com a publicação da Revista de Estudos Orteguianos, editada em Madrid e que se encontra no sétimo número. 
 

Na obra El tema de nuestro tiempo, Ortega desenvolve a idéia de razão vital, o eixo da sua fundamentação teórica. A partir deste momento, a filosofia orteguiana assume como principal objetivo a conversão da razão pura por uma razão vital. Cabe ressaltar que Ortega não vai contra a razão, mas combate os exageros do racionalismo, que submete a vida à razão, desconsiderando o imperativo vital que também faz parte da realidade humana. Ortega observa que a busca de progressiva racionalização de toda realidade não consegue se efetivar quando depara-se com a realidade temporal e mutável da vida humana. 
 

Em sua formulação teórica, Ortaga coloca a vida do homem como categoria básica para resolver os problemas da realidade. É na vida que se manifestam todas as formas de experiência do real, porque viver é o que nós fazemos e o que nos acontece. Trata-se de pensar “eu com as coisas” e não “eu entre as coisas”, ou seja, eu transformando o mundo, atuando nele, dirigindo-se a ele.

 

Nesta ótica, o autor estabelece que somente a razão vital é capaz de apreender a realidade temporal, porque é uma razão que funciona na vida. Diante das inúmeras possibilidades que nos aparecem temos necessariamente que escolher qual caminho seguir. Cabe ao homem pensar, avaliar cada uma das possibilidades e identificar a que mais se aproxima dos seus impulsos vitais. É deste processo de reflexão sobre o que deve ser feito que surge a razão vital. A vida, ao colocar o mundo na sua perspectiva, no seu contexto, modificando-o de alguma forma, o faz inteligível. Portanto, a vida é o próprio órgão de compreensão.

 

Assim, pode-se observar que a intenção de Ortega, na referida obra, é fazer uma correção de rota, a partir do racionalismo descobrir a espontaneidade. Somente a partir desta ótica pode-se pensar a questão do homem enquanto sujeito que se relaciona a todo instante com a circunstância, modificando-a, transformando-a de acordo com sua espontaneidade.

 

Ortega ressalta que a separação dos dois eixos vitais, a razão e a espontaneidade, começou a se efetivar no tempo de Sócrates, sendo essa separação que a Europa herda da filosofia antiga, chegando ao ponto de colocá-los como dois pólos antagônicos. O objetivo desse filósofo é mostrar que a cultura, a razão, a arte, a ética tem que estar em relação à vida e servir a ela. Assim, estabelece uma maneira de abordar o problema da espontaneidade no mundo do homem.

       Tendo em vista o projeto raciovitalista, o eixo central da ética orteguiana apresenta como norma primeira o imperativo vital. Aqui, a moralidade consiste na autenticidade, na fidelidade a si mesmo, ao seu projeto e a sua vocação. A moral que vem de fora e incide sobre os homens em forma de imperativos é subjetivamente imoral.     

O projeto moral da filosofia raciovitalista apresenta-se como uma chave de entendimento do mundo ainda atual. O que ele revela? Que o homem contemporâneo, inserido numa sociedade rica em saber, bens materiais e possibilidades de informações, não consegue se posicionar em meio a tantas oportunidades. Tal disposição deve-se ao fato de que esses indivíduos, diante das possibilidades que a circunstância lhe apresenta, perdem-se, e se deixam guiar pelas necessidades da sociedade. Se não modifica a sua circunstância, se não é fiel a sua íntima e original vocação, o homem deixa de viver a sua espontaneidade, tornando-se um ser inautêntico. Abandonar a vocação, o seu projeto vital é abandonar-se a si mesmo e, consequentemente, a própria vida

 

 

Bibliografia

ORTEGA Y GASSET, José. El tema de nuestro tiempo. Obras Completas. v. III, 2. Reimpresión, Madrid: Alianza, 1994. p. 141-203.

 

 

 Fernanda de Araújo Melo

(Bolsista de Iniciação Científica / UFSJ)

Universidade Federal de São João del-Rei/MG - Brasil
 

      © Fernanda de Araújo Melo