|
Resumo:
Na referida obra, Ortega y Gasset desenvolve a idéia
de razão vital que vinha construindo em seus trabalhos anteriores. A partir
desse momento, a filosofia orteguiana assume como principal objetivo a
substituição da razão pura pela razão vital. Cabe ressaltar que, Ortega não
vai contra a razão, mas combate os exageros do racionalismo, que submetendo
a vida à razão, desconsidera o imperativo vital. Nesse sentido, Ortega
estabelece uma nova maneira de colocar o problema da espontaneidade em
relação com o mundo do homem. Nessa resenha vamos mostrar como este filósofo
desenvolve a idéia de razão vital, a base de seu pensamento filosófico.
Abstract:
In the referred work, Ortega y Gasset develops the
concept of "vital reason" that was building in your previous works. Starting
from this moment, the orteguian philosophy assumes as your main objective
the task of substituting the pure reason for a vital reason. It is necessary
to emphasize that Ortega doesn't make opposition to the reason, but it
combats the exaggerations of the rationalism that submits the life to the
reason, disrespecting the vital imperative. In that sense, Ortega
establishes, in an innovative way, that the problem of the spontaneity
should be placed in the relationship with the man's world. In that review we
intended to elucidate as this philosopher develops the idea of vital reason
as base of your philosophical thought.
ORTEGA Y GASSET, José.
El tema de nuestro tiempo. Obras
Completas. v. III, 2. Reimpresión, Madrid: Alianza, 1994. p. 141-203.
Ortega y Gasset, filósofo espanhol da primeira
metade do século XX, destacou-se não apenas como estudioso da tradição
filosófica, mas também como pensador preocupado com a realidade de seu país.
A reflexão orteguiana vincula o pensamento à circunstância e contribui para
o aprofundamento do estudo contemporâneo das chamadas filosofias nacionais.
Adicionalmente, a reflexão orteguiana ganhou destaque no mundo contemporâneo
com a publicação da Revista de Estudos
Orteguianos, editada em Madrid e que se encontra no sétimo
número.
Na obra El tema de
nuestro tiempo, Ortega desenvolve a idéia de
razão vital, o eixo da sua
fundamentação teórica. A partir deste momento, a filosofia orteguiana assume
como principal objetivo a conversão da razão pura por uma razão vital. Cabe
ressaltar que Ortega não vai contra a razão, mas combate os exageros do
racionalismo, que submete a vida à razão, desconsiderando o imperativo vital
que também faz parte da realidade humana. Ortega observa que a busca de
progressiva racionalização de toda realidade não consegue se efetivar quando
depara-se com a realidade temporal e mutável da vida humana.
Em sua formulação teórica, Ortaga coloca a
vida do homem como categoria básica para resolver os problemas da realidade.
É na vida que se manifestam todas as formas de experiência do real, porque
viver é o que nós fazemos e o que nos acontece. Trata-se de pensar “eu
com as coisas” e não “eu entre as coisas”,
ou seja, eu transformando o mundo, atuando nele, dirigindo-se a ele.
Nesta ótica, o autor
estabelece que somente a razão vital é capaz de apreender a realidade
temporal, porque é uma razão que funciona na vida. Diante das inúmeras
possibilidades que nos aparecem temos necessariamente que escolher qual
caminho seguir. Cabe ao homem pensar, avaliar cada uma das possibilidades e
identificar a que mais se aproxima dos seus impulsos vitais. É deste
processo de reflexão sobre o que deve ser feito que surge a razão vital. A
vida, ao colocar o mundo na sua perspectiva, no seu contexto, modificando-o
de alguma forma, o faz inteligível. Portanto, a vida é o próprio órgão de
compreensão.
Assim, pode-se observar que a intenção de
Ortega, na referida obra, é fazer uma correção de rota, a partir do
racionalismo descobrir a espontaneidade. Somente a partir desta ótica
pode-se pensar a questão do homem enquanto sujeito que se relaciona a todo
instante com a circunstância, modificando-a, transformando-a de acordo com
sua espontaneidade.
Ortega ressalta que a separação dos dois
eixos vitais, a razão e a espontaneidade, começou a se efetivar no tempo de
Sócrates, sendo essa separação que a Europa herda da filosofia antiga,
chegando ao ponto de colocá-los como dois pólos antagônicos. O objetivo
desse filósofo é mostrar que a cultura, a razão, a arte, a ética tem que
estar em relação à vida e servir a ela. Assim, estabelece uma maneira de
abordar o problema da espontaneidade no mundo do homem.
Tendo em vista o projeto raciovitalista, o eixo central da ética orteguiana
apresenta como norma primeira o imperativo vital. Aqui, a moralidade
consiste na autenticidade, na fidelidade a si mesmo, ao seu projeto e a sua
vocação. A moral que vem de fora e incide sobre os homens em forma de
imperativos é subjetivamente imoral.
O projeto moral da
filosofia raciovitalista apresenta-se como uma chave de entendimento do
mundo ainda atual. O que ele revela? Que o homem contemporâneo, inserido
numa sociedade rica em saber, bens materiais e possibilidades de
informações, não consegue se posicionar em meio a tantas oportunidades. Tal
disposição deve-se ao fato de que esses indivíduos, diante das
possibilidades que a circunstância lhe apresenta, perdem-se, e se deixam
guiar pelas necessidades da sociedade. Se não modifica a sua circunstância,
se não é fiel a sua íntima e original vocação, o homem deixa de viver a sua
espontaneidade, tornando-se um ser inautêntico. Abandonar a vocação, o seu
projeto vital é abandonar-se a si mesmo e, consequentemente, a própria vida
Bibliografia
ORTEGA Y GASSET, José. El tema de nuestro
tiempo. Obras Completas. v. III, 2. Reimpresión, Madrid: Alianza,
1994. p. 141-203.
Fernanda de Araújo Melo
(Bolsista de Iniciação
Científica / UFSJ)
Universidade Federal de
São João del-Rei/MG - Brasil
©
Fernanda de
Araújo Melo
|